Da imprensa ao digital
Flávia Alves de Souza Silva¹
Ter acesso à educação é um direito constitucional. Entretanto, desde o início da colonização brasileira, o analfabetismo é um dos maiores dilemas sociais presentes no Brasil, principalmente nas regiões norte e nordeste.
Percebe-se que os resquícios de uma colonização de exploração, a valorização da cultura oral, a falta de acesso a informações escritas, aliadas à pobreza de uma grande parcela da população contribuem para a existência do analfabetismo. Porém, na era do conhecimento, o analfabeto, seja o que não sabe escrever e ler um simples bilhete em sua língua materna ou aquele que não consegue ler, interpretar e produzir um texto enfrenta sérios problemas sociais, entre eles, o desemprego. Isso porque a automação das atividades econômicas exige mão-de-obra qualificada e, portanto, com alto grau de escolaridade, o que por sua vez implica em uma formação acadêmica de qualidade, adequada às exigências da sociedade pós-moderna.
Além disso, o analfabeto torna-se alvo de ideologias dominantes, que o alienam culturalmente, impedindo-o de exercer sua cidadania. Por viver em precárias condições, essas pessoas não tem garantido o acesso e à permanência na escola com uma educação voltada para as suas necessidades. Antes, tornam-se mais pobres, dependentes de programas sociais do governo federal, as taxas de natalidade e mortalidade, a concentração de renda e a possibilidade de mais gerações analfabetas aumentam gradativamente, acentuando-se ainda mais a desigualdade social e econômica no país.
Investir em educação básica de qualidade é a estratégia mais eficaz para o desenvolvimento socioeconômico de uma nação. A República da Coréia, por exemplo, ao investir em educação básica tornou sua renda per capita 30 a 40% mais elevada. Isso requer democratizar o ensino de qualidade para crianças, jovens e adultos, proporcionando condições para que estes permaneçam na escola e possam progredir em seus estudos rumo à educação profissional e/ou à academia.
È interessante, também, a conquista de parcerias entre as escolas, entre estas e a comunidade de entorno, parcerias intersetoriais com os órgãos públicos, ONGs, universidades, centros de formação continuada, bem como empresas que geram empregos, promovendo a formação continuada em contextos profissionais para os seus funcionários (empresas estas que poderiam até mesmo receber maiores incentivos governamentais). Além dessas alternativas, ressalta-se ainda, o apoio explícito da mídia à educação escolar e a democratização da cultura escrita, o que implica em possibilitar o acesso a livros, jornais, revistas, enciclopédias, dentre outros meios de circulação de informações.
Nessa direção, tais investimentos alimentariam políticas públicas capazes de, em prazos relativamente curtos, quando comparados ao atraso de mais de quinhentos anos de desigualdade socioeconômica, alicerçarem a construção de uma sociedade mais equitativa, justa, sustentável e com melhores condições de vida.
Iraquara, 24 de fevereiro de 2012.
¹ Licenciada em Pedagogia pela UNEB, pós-graduanda em Gestão, coordenação e orientação educacional pela FACCEBA/Visconde de Cairu, é professora da rede municipal de Iraquara- BA e, atualmente, ocupa a função de diretora pedagógica no município supracitado.





